Era uma vez a Constituição Federal de 1988 na República denominada Brasil, nação que despertou de décadas de sonambulismo ditatorial para uma democracia utópica e discriminatória, onde o sistema governamental, baseado no Executivo, Legislativo e Judiciário continua a vitimar milhares e milhares de nacionais, mas sem revestimento autoritário de outrora, e sim idiossincrático.
Na há neste solo pátrio sequer um bastião “pétreo” para salvaguardar os interesses das minorias, dos humildes, dos idosos, enfim, dos fragilizados pela metodologia excludente adotada pelos governos ditos democráticos, mas que solapam a cada gestão as esperanças e perspectivas de real mobilidade social tanto qualitativa como quantitativamente.
Os militares recolheram suas armas aos quartéis e, considerando ter cumprido dever patriótico, entregaram as rédeas da nação aos civis, que embriagados pelo poder e influenciados por temas garantidores da cidadania vindos de terras distantes, redigiram uma Carta Cidadã, que desde sua edição estava fadada ao fracasso de seus objetivos.
A Carta Magna foi “inflada e super-nutrida” com temas de uma diversidade nunca antes visto, trazendo em seu teor receitas e mais receitas de curar as mazelas da sociedade, como se meras palavras sem vontade política pudesse reverter o quadro de descalabro crescente em cores nítidas desde os últimos anos do governo militar.
Primeiro vivenciamos a crise no Executivo, com presidentes e secretários envolvidos em escândalos financeiros, chagas de uma ferida aberta que continua vitimando os cidadãos honestos deste país.
Em seguida a crise no Legislativo, dos interesses pessoais e novos escândalos financeiros, que a cada investigação ou CPI nada apurava, deixando os abutres do sistema usufruir dos recursos devidamente afanados, se perpetuando na política sob a máxima que o povo brasileiro possui memória curta.
Terminando, convivemos com a crise no Judiciário, que se rende aos interesses unilaterais de grandes grupos econômicos e deixam de cumprir sua missão de igualar os desiguais para efetivação da justiça.
Quem poderia imaginar que um país repleto de recursos e riquezas naturais pudesse ser dilapidado ano após ano sem utilizar este manancial em prol dos seus nacionais? Ninguém.
A história é antiga, remonta ao Império, cuja família real e “escolhidos” nada mais faziam que deitar em berço esplendido e literalmente “mamar” tudo que fosse possível, escravizando e monopolizando os “súditos”, considerados inferiores e não merecedores de sequer uma migalha social, mantendo os mestiços, escravos e humildes (sobre)vivendo em completa penúria.
Veio a República e a história se manteve, pois somente a casta e seus “amigos” eram agraciados com generosos quinhões monetários, sendo a população um gado a ser abatido pelos interesses nefastos daqueles que naquela época iniciaram seus feudos econômicos, que se procurarmos bem encontraremos até hoje pelos sobrenomes de barões e tantos outros.
Não se atendo a evolução histórica por ser deveras extensa, viemos ao mundo (nascemos) sob a égide de potência mundial, eterno país do futuro, um país que iria para frente. Grandes obras, urbanização, progresso, mas sempre sem controle efetivo da utilização dos recursos utilizados. Quantas obras faraônicas custaram milhões e milhões em interminável saque aos cofres públicos? Centenas. E aí seus idealizadores foram beneficiados com o milagre divino da multiplicação, cujo patrimônio pessoal deu saltos de zeros e zeros à direita após deixarem seus postos no governo.
Onde estariam os fiscais desta valsa de derramamento de dinheiro?
Quem se opôs até com a própria vida em prol de salvaguardar o interesse do povo brasileiro? Ninguém. E a valsa continua, a mídia expõe os escândalos, pessoas são acusadas, faz-se muito barulho, posa-se para flashes, vende-se jornal e revistas como nunca, audiência televisiva cresce até um novo escândalo para alimentar este circulo vicioso. Mas ninguém é punido exemplarmente, ninguém vai preso. Será que existe, como diz um brocardo popular, “tanto rabo preso” por aí? Que coisa feia este Estado Democrático de Direito.
Ninguém apura, ninguém possui coragem de agir com rigor e punir quem quer que seja, prefere-se varrer a sujeira para debaixo do tapete e deixar o tempo passar para no apagar dos flashes “curtir a vida de sultão” no país dos miseráveis de salário mínimo de fome, dos auxílios paternalistas que viciam pela inércia de buscar melhor qualidade de vida, das discriminações de raça e credo das cotas universitárias (inconstitucionais) que desigualam os cidadãos, criando uma preferência a uma etnia inexistente neste Brasil miscigenado, inclusive bem definido pelo presidente em exercício que propagou ao mundo serem os louros de olhos azuis os culpados da crise financeira, demonstrando que nosso país não possui este “tipo” de gente inescrupulosa e gananciosa, que suga a seiva vital das populações para engordar suas contas bancárias...
Qual nossa identidade? Quem somos? Para onde vamos? O caos se instalou em nossas vidas e como um câncer consome a cada dia não só nossas possibilidades de ascensão social, fulmina instantaneamente os sonhos de viver dignamente, de ter saúde, boa educação, moradia com mínimo de conforto, segurança.
Enviemos nossas tropas para garantir a democracia e liberdade dos povos estrangeiros, mas deixemos nossos filhos, pais, amigos morrerem por toda sorte de flagelo social, seja por balas perdidas ou assaltos, ou por falta de médicos, remédios e assepsia hospitalar ou ainda da forma mais covarde, pela lenta e gradual morte pelo definhamento de alimentação deficiente e falta de latrina.
Emprestemos alguns bilhões para o FMI, afinal nossos aposentados e pensionistas, que deram toda uma existência jovial para este país, estão recebendo aumentos substanciais anualmente que garantem a manutenção de sua qualidade de vida.
Apontem um bastião. Quem assume a posição? Alguém se oferece? Ministério Público? OAB? AMB? Vamos, a sociedade aguarda, exige e anseia por moralidade, ética, respeito e justiça. O silêncio é perturbador.
Palavras e palavras sejam proferidas ou escritas, nada mais exercem sobre a consciência da brava gente brasileira, mas soam como sonoros avisos de alerta naqueles que se locupletam no sistema fétido, pútrido e deplorável da corrupção, que logo correm para calar as vozes e apagar as letras daqueles que desejem iluminar e dar lenitivo aos corações amargurados do povo. Serei mais um a ser calado? O tempo dirá...
Olá doutor, concordo que o ensino realmente merece reforma. Contudo, acredito que devemos evitar a manutenção de uma visão constantemente pessimista sobre os fatos e lembrar que a mudança é gradativa, a verdadeira mudança é também aquela que nós, enquanto professores, empreendemos dia-a-dia com nossos alunos. Não me parece confortável a ideia de viver a espera de uma providência do governo que milagrosamente porá fim a grande parte das mazelas sociais, considero esse um discurso fácil.
ResponderExcluirNão, obstante, admiro sua visão.